Campo Grande entrou definitivamente no mapa internacional ao sediar, pela primeira vez, um evento da Organização das Nações Unidas. A capital sul-mato-grossense recebeu chefes de Estado e lideranças globais na Cúpula de Alto Nível que antecede a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias (COP15 da CMS), consolidando o protagonismo do Estado em uma das agendas mais relevantes do planeta.
Entre os destaques da abertura está a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do Paraguai, Santiago Peña, além de representantes de diversos países. Em seu discurso, Lula fez críticas diretas à atuação do Conselho de Segurança da ONU diante de conflitos internacionais e destacou a necessidade de cooperação global.
“O Conselho de Segurança tem sido omisso. Um mundo sem regras é um mundo inseguro”, afirmou o presidente, ao citar tensões geopolíticas recentes. Em seguida, ele conectou o cenário global ao tema da conferência, ressaltando que a preservação ambiental também exige compromisso coletivo entre as nações.
A COP15 reúne mais de 130 países e a União Europeia para discutir estratégias de conservação de espécies migratórias, além da proteção de habitats e rotas naturais essenciais para a sobrevivência da fauna. A expectativa é de que mais de 3 mil participantes passem pelo evento ao longo da semana, entre cientistas, autoridades, organizações internacionais e representantes da sociedade civil.
Durante a abertura, Lula também anunciou medidas concretas, como a assinatura de decretos que ampliam áreas de preservação ambiental no país, incluindo regiões do Pantanal. Ele ainda destacou avanços recentes na política ambiental brasileira, como a redução do desmatamento e das queimadas, e reforçou que não há desenvolvimento sustentável sem proteção da biodiversidade.
A escolha de Campo Grande como sede foi considerada estratégica por especialistas, já que o Mato Grosso do Sul está inserido em uma das regiões mais importantes para a migração de espécies no Brasil. O Pantanal, em especial, tem sido apontado como um dos biomas mais sensíveis do mundo, sofrendo impactos significativos das mudanças climáticas e da perda de recursos hídricos.
Além das discussões internacionais, a realização da COP15 também movimenta o cenário político local. Lideranças de Mato Grosso do Sul — entre deputados, senadores, prefeitos e vereadores — acompanham de perto a agenda presidencial e demonstram expectativa em relação à presença de Lula no Estado, vista como uma oportunidade para apresentar demandas e buscar novos investimentos.
O evento também abre espaço para iniciativas locais de preservação, como o monitoramento da onça-pintada e a criação de corredores ecológicos, fundamentais para a manutenção das rotas migratórias de diversas espécies.
É nesse contexto que a COP15 ganha ainda mais relevância estratégica. Para a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, a conferência representa uma oportunidade concreta de atrair investimentos internacionais voltados à preservação do Pantanal.
Segundo ela, o evento ajuda a mostrar ao mundo que o Brasil não se resume à Amazônia e que o Pantanal precisa estar no centro das atenções globais. A visibilidade proporcionada pela conferência pode abrir portas para novos financiamentos externos destinados à conservação do bioma, ampliando as possibilidades de proteção ambiental aliadas ao desenvolvimento sustentável.
“É uma forma de mostrar que o Brasil não é só a Amazônia. Temos cinco grandes biomas e o Pantanal é um dos mais frágeis do planeta. Trazer o mundo para cá permite, no futuro, acessar financiamentos internacionais também para o nosso Pantanal”, destacou a ministra.


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