O número de empresas com contas em atraso segue elevado em Mato Grosso do Sul. Dados mais recentes da Serasa Experian apontam que o Estado encerrou março de 2026 com 130,9 mil empresas inadimplentes, refletindo a dificuldade de recuperação financeira enfrentada principalmente por pequenos negócios.
Juntas, essas empresas acumulam mais de 1 milhão de débitos negativados, totalizando aproximadamente R$ 3,5 bilhões em dívidas.
Na prática, cada empresa inadimplente em Mato Grosso do Sul possui, em média, quase oito contas em atraso. O valor médio devido por CNPJ se aproxima de R$ 27 mil.
O levantamento mostra que as micro e pequenas empresas continuam sendo as mais afetadas pelo ambiente econômico restritivo. Em todo o país, esse grupo representa a maior parte dos negócios negativados.
Especialistas apontam que juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito e o acúmulo de despesas dos últimos anos continuam pressionando o caixa das empresas.
Segundo análise da economista Camila Abdelmalack, o cenário ainda reflete um ambiente financeiro considerado apertado, dificultando a recuperação das companhias que já enfrentavam dificuldades anteriores.
Ela destaca que a inadimplência empresarial funciona como um indicador acumulado, ou seja, os efeitos das pressões econômicas permanecem sendo sentidos mesmo após períodos de melhora em alguns setores.
Comércio e serviços lideram inadimplência
O setor de serviços concentra a maior parte das empresas negativadas no Brasil, seguido pelo comércio. A indústria aparece na sequência.
Em Mato Grosso do Sul, o impacto também atinge negócios ligados ao varejo, alimentação, prestação de serviços e pequenas operações familiares, segmentos bastante dependentes do consumo e do crédito.
Dentro da região Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com maior número de empresas inadimplentes. Goiás lidera o ranking regional, seguido pelo Distrito Federal e Mato Grosso.
No cenário nacional, o Brasil já soma quase 9 milhões de empresas com restrições de crédito, acumulando mais de R$ 212 bilhões em dívidas negativadas.
O avanço da inadimplência reforça o desafio enfrentado por empresários em meio ao custo elevado do crédito, à desaceleração econômica em alguns setores e à dificuldade de reorganização financeira das empresas nos últimos anos.


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