No dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher. Porém, além de flores e homenagens, essa data nos convida à reflexão sobre os direitos conquistados e os desafios que ainda enfrentamos para garantir a igualdade de gênero.
A história mostra que as mulheres ainda precisaram lutar – e muito – para garantir direitos que hoje parecem óbvios, como trabalhar fora de casa, estudar e ter autonomia sobre suas próprias escolhas.
Até pouco tempo atrás, a presença feminina em espaços de poder era exceção e não regra. Mas ainda hoje, a desigualdade persiste em diversas formas: salários menores para as mesmas funções, barreiras para ascensão profissional e até mesmo a dificuldade de acesso à justiça para denunciar abusos e violências.
É inegável que atualmente já houve avanços no campo jurídico, como por exemplo, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que é uma conquista essencial no combate à violência doméstica. Também podemos citar a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015) que trouxe um olhar mais severo para os crimes motivados pelo fato de a vítima ser mulher. Já no âmbito trabalhista, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi sendo aprimorada para proteger a mulher contra discriminação, desigualdades e assédio no ambiente de trabalho.
Mas será que esses direitos são suficientes? A resposta é não. Apesar de a legislação avançar, fato é que isto acontece a passos lentos.
As estatísticas ainda são gritantes, demonstram os altos índices de violência doméstica, assédio moral e sexual, desigualdade salarial, dificuldades para acessar cargos de liderança. Além disso, sofrem com a sobrecarga da jornada dupla entre trabalho e tarefas domésticas, dentre outros.
O preconceito estrutural, muitas vezes disfarçado de “tradição” ou “cultura”, continua impedindo que a igualdade plena seja alcançada.
E o que podemos fazer? Como sociedade, temos o dever de cobrar políticas públicas eficazes, apoiar vítimas de violência e incentivar a presença feminina em todos os espaços. Não estimular o preconceito e buscar conhecimento sobre esses temas é essencial.
Que não nos esqueçamos que o Dia Internacional da Mulher não é apenas um dia de celebração, mas de compromisso com um futuro mais justo.
Que possamos reconhecer e valorizar as conquistas, mas sem perder de vista o que ainda precisa ser mudado.
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Por Izabela Rial P. de Barros
Advogada. Pós-graduada em Direito Civil e Processo Civil. Mestre em Direito.
Instagram: @izabelarial.adv