A possível redução no fornecimento de gás natural da Bolívia não deve comprometer a operação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas. A Petrobras afirma que estruturou o projeto com alternativas de abastecimento, o que permite à unidade operar mesmo em um cenário de menor dependência do país vizinho.
A fábrica, considerada estratégica para o setor de fertilizantes, terá uma demanda diária de cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural, principal insumo para a produção de ureia e amônia. Atualmente, o Brasil ainda importa entre 10 milhões e 15 milhões de metros cúbicos por dia da Bolívia, mas a estatal destaca que o sistema de transporte permite adaptações, como a reversão de fluxo do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol).
Na prática, isso possibilita que a UFN-3 seja abastecida por outras fontes, incluindo o gás produzido no pré-sal ou em campos do Nordeste. Outra alternativa em análise envolve o gás argentino da região de Vaca Muerta, que já passou por testes de envio ao Brasil com resultados positivos, ampliando as opções de suprimento para o mercado nacional.
Retomada prevista e impacto econômico
A reativação da unidade, paralisada desde 2014, deve ocorrer entre junho e julho deste ano, condicionada à finalização dos contratos necessários para a retomada das obras. A Petrobras dividiu o projeto em 11 frentes de contratação, parte delas já concluídas, e estima iniciar os trabalhos até 60 dias após a formalização dos acordos restantes.
Com investimento previsto de US$ 1 bilhão, a UFN-3 tem cronograma de operação para o primeiro semestre de 2029. No pico das obras, a expectativa é gerar entre 7 mil e 8 mil empregos diretos, além de impulsionar a economia regional.
Quando estiver em funcionamento, a planta terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, podendo atender cerca de 15% da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados. O projeto ganha relevância em um cenário global de instabilidade no fornecimento desses insumos, reforçando a estratégia de reduzir a dependência externa e fortalecer o agronegócio nacional.
Mesmo após mais de uma década parada, a Petrobras afirma que a estrutura da unidade foi preservada e será reaproveitada. Antes da retomada plena, será realizada uma etapa de inspeção e ajustes técnicos, considerada essencial para garantir a eficiência operacional da planta.


.gif)



