O avanço da bioenergia em Mato Grosso do Sul está abrindo espaço para um novo mercado tecnológico no interior do Estado. Em Ivinhema, a energia gerada a partir da biomassa da cana-de-açúcar será utilizada para abastecer uma operação de mineração de Bitcoin ligada à gigante global de ativos digitais Tether.
A iniciativa será implantada junto à unidade da Adecoagro e une agronegócio, geração de energia renovável e tecnologia blockchain em um dos projetos mais incomuns já anunciados no setor sucroenergético sul-mato-grossense.
A estrutura contará com um datacenter equipado com máquinas de alta performance voltadas exclusivamente à mineração de criptomoedas. Esses equipamentos, conhecidos como ASICs, operam em larga escala para processar cálculos complexos responsáveis pela validação das operações da rede Bitcoin.
A previsão é de que o sistema entre em operação a partir de junho.
A usina da Adecoagro em Ivinhema possui autorização para gerar até 120 megawatts de energia. Parte dessa capacidade — cerca de 12 MW — deverá ser direcionada ao funcionamento da estrutura de mineração digital.
Além do fornecimento energético, o projeto também prevê o uso da água da própria unidade industrial para auxiliar no resfriamento dos equipamentos, considerados altamente exigentes em consumo energético e controle térmico.
A expectativa é de uma produção diária entre 0,3 e 0,4 Bitcoin. Com a atual cotação da criptomoeda girando em torno de US$ 80 mil por unidade, o faturamento mensal da operação pode alcançar valores próximos de R$ 4 milhões.
A operação utilizará o Mining OS, plataforma desenvolvida pela própria Tether para gerenciar grandes fazendas de mineração de Bitcoin ao redor do mundo.
O sistema permite monitoramento em tempo real do desempenho das máquinas, controle do consumo energético, temperatura dos equipamentos e administração remota da operação, buscando maior eficiência e redução de desperdícios.
A entrada da Tether nesse mercado em Mato Grosso do Sul acontece após a empresa ampliar participação acionária na Adecoagro em 2025, assumindo posição majoritária no grupo agroindustrial.
O movimento reforça uma tendência internacional de aproximação entre empresas de tecnologia financeira, produção de energia renovável e infraestrutura digital.
Em Mato Grosso do Sul, o projeto coloca o Estado no radar de uma nova cadeia econômica ligada à mineração de ativos digitais, aproveitando a força da produção agroindustrial e da geração de energia limpa como diferencial competitivo.
Com informações do Made In MS


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