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Quase pronta, ponte da Rota Bioceânica depende de R$ 200 milhões para não ficar 'sem acesso'

Foto: Toninho Ruiz/reprodução
Rogério Potinatti
8/3/2026
às
7:20

A poucos metros de unir Brasil e Paraguai, a Ponte Bioceânica pode ser concluída ainda neste ano, mas a falta de recursos para as obras de acesso pela BR-267 ameaça atrasar o funcionamento pleno do corredor rodoviário internacional em Porto Murtinho.

A estrutura principal sobre o Rio Paraguai está a menos de 90 metros de ser conectada e tem previsão de entrega para agosto. No entanto, sem a conclusão das obras complementares de acesso, a rota que integra Brasil, Paraguai, Argentina e Chile poderá entrar em operação apenas em 2027.

Segundo João Carlos Parkinson, coordenador nacional do Corredor Rodoviário Bioceânico e chefe da divisão de integração de infraestrutura do Itamaraty, ainda faltam cerca de R$ 200 milhões para garantir a execução de etapas fundamentais do projeto. Os recursos são necessários para a construção de pontes secundárias, viadutos, terraplanagem e do complexo de controle integrado na fronteira.

Ele explicou que as obras de acesso estão sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). No momento, os trabalhos continuam graças a um saldo de aproximadamente R$ 50 milhões, mas o montante deve se esgotar em breve.

A situação preocupa porque a conclusão da ponte principal está prevista para os próximos meses. Caso os acessos não estejam prontos, haverá pressão para a inauguração da estrutura mesmo sem as condições completas de operação.

Quando estiver totalmente funcional, o Corredor Bioceânico deverá representar uma transformação logística para o comércio internacional brasileiro. A nova rota pode reduzir em cerca de 9,7 mil quilômetros o trajeto marítimo das exportações do país rumo à Ásia. Em alguns casos, como nas operações com destino à China, o tempo de transporte poderá diminuir entre 12 e 17 dias, com saída pelos portos chilenos no Oceano Pacífico.

A expectativa inicial é de que cerca de 250 caminhões utilizem diariamente a rota internacional.

O avanço da integração logística também é tema de um seminário realizado em Campo Grande, no Bioparque Pantanal, que debate o uso do sistema TIR (Transporte Internacional Rodoviário). O modelo permite que as cargas sejam lacradas na origem e só abertas no destino final, o que reduz burocracia e agiliza o transporte entre os países.

Em nota recente, o DNIT informou que as obras para adequação e construção dos acessos à ponte internacional estão em andamento. O projeto inclui o novo acesso rodoviário, o contorno viário de Porto Murtinho e a construção do Centro Aduaneiro de Controle de Fronteira. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 496,9 milhões, com cerca de 31,7% da execução concluída.

Outro trecho importante envolve a restauração do pavimento e a ampliação da capacidade da BR-267 entre os quilômetros 577,8 e 678,1. Nesse caso, o investimento é de cerca de R$ 254 milhões e os trabalhos já ultrapassaram 59% de execução. A previsão atual para a entrega completa dessas intervenções é 2027.