Evento presencial em Campo Grande e transmissão simultânea para Corumbá, Dourados e Três Lagoas marcaram o lançamento oficial ontem; especialistas destacam que inovação é chave para o crescimento econômico do Estado
O programa Decola Empresas, uma iniciativa conjunta do Senac Mato Grosso do Sul e da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), foi oficialmente lançado nesta quinta-feira (29 de janeiro) com uma palestra gratuita que reuniu empresários, gestores e profissionais interessados em transformar seus negócios.
O evento, realizado de forma híbrida, contou com presença física em Campo Grande e transmissão simultânea para as sedes do Senac em Corumbá, Dourados e Três Lagoas, ampliando o alcance para os participantes de cada localidade.
O secretário da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul), Jaime Verruck, fez a abertura do evento. Ele disse que o setor de comércio e serviços é o grande motor da economia de Mato Grosso do Sul, pois representa o segmento que mais gera empregos e renda no Estado.
"E nós estamos vivendo um momento muito particular: com a chegada de novos investimentos, a ampliação da infraestrutura e a abertura de oportunidades em várias regiões, a economia está se movimentando. Por isso, o recado aos empresários é claro: precisamos estar preparados. Preparados para atender um mercado mais exigente, para ganhar produtividade, para inovar, para melhorar processos e, principalmente, para entregar uma experiência melhor ao cliente. A competitividade não vai esperar. Quem se organiza agora, capacita sua equipe e estrutura o negócio, vai aproveitar esse ciclo de crescimento. E o papel do Governo do Estado, junto com parceiros como o Senac, é justamente apoiar essa transformação, para que as empresas locais cresçam, gerem mais empregos e fortaleçam ainda mais a economia de Mato Grosso do Sul”, disse.

Palestra sobre inovação
Durante a palestra de lançamento do Decola Empresas, o especialista em inovação e estratégia Allan Costa sustentou que inovar não é, necessariamente, criar tecnologia de ponta — e sim resolver problemas reais com soluções simples, aplicáveis e viáveis para qualquer tipo de negócio.
Ele citou exemplos práticos de empresas que ganham competitividade ao melhorar processos, ajustar a experiência do cliente e tornar a operação mais eficiente.

Costa enfatizou que, em um mercado cada vez mais competitivo, a inovação não é opcional, mas essencial para sobreviver e prosperar e ao contextualizar o cenário brasileiro, ele comparou o nível de investimento do país em inovação com o de nações líderes no tema.
"Segundo dados da UNESCO (2023), o Brasil investe 1,16% do PIB em inovação, enquanto a Coreia do Sul chega a 4,81%, o que, ajuda a explicar por que alguns mercados avançam mais rápido em produtividade e competitividade. Por isso, digo que inovação precisa ser simples, aplicável e factível. Isso vale para qualquer modelo de negócio — e não depende, necessariamente, de tecnologia”, afirmou.
Ele também chamou atenção para um gargalo no ambiente das pequenas e médias empresas. Com base em dados do Sebrae (2025), Allan destacou que 76% das PMEs ainda não investem em inovação — um comportamento que, segundo ele, impacta diretamente a sobrevivência e o tempo de vida desses negócios em um mercado cada vez mais exigente.
“Se a empresa não investe em inovação, ela encurta a própria longevidade. Inovação não é um fenômeno tecnológico. É um fenômeno humano, porque cria soluções baseadas nos problemas reais das pessoas reais”, destacou.
No encerramento, Allan resumiu o espírito empreendedor como uma postura de inconformismo com o “sempre foi assim”, aliada à empatia e à disposição para assumir riscos — especialmente em um cenário de oportunidades e transformação econômica.
“Ser empreendedor é ser inconformado, ter empatia e assumir riscos”, concluiu.
Programa de mentoria: 120 empresas selecionadas para jornada de 8 meses
O Decola Empresas vai beneficiar 120 empresas dos setores de varejo, saúde e turismo, selecionadas por meio de edital encerrado em 2025. Ao longo de oito meses, essas organizações receberão 50 horas de mentoria especializada por empresa, divididas em duas fases: identificação de dores operacionais (como melhoria de processos, inovação em produtos ou transformação digital) e implementação prática dos projetos.
Ao todo, o governo do Estado investirá cerca de R$ 2 milhões para levar esse conteúdo aos empresários e empreendedores inscritos no programa. Segundo Ana Carina Pini de Mello, diretora de inovação, planejamento e tecnologia do Senac MS, o programa vai além do faturamento individual.
"A mentoria gera impactos coletivos: empresas mais competitivas, colaboradores capacitados e consumidores satisfeitos. Em Mato Grosso do Sul, com a chegada de novas indústrias e a Rota Bioceânica, quem inova sai na frente", afirmou.
Para o gerente regional do Senac de Três Lagoas, Ivan Murgi Farias, a inovação deve ser vista como um processo contínuo, ligado diretamente à jornada do cliente.
"Os consumidores estão mais exigentes e conectados. Revisar processos, melhorar produtos e serviços com acompanhamento técnico garante resultados duradouros para todos. Por isso é tão importante desenvolver esse programa a nível estadual, o objetivo é ampliar esse conteúdo ao máximo", completou.
Inovação como motor do desenvolvimento econômico
O lançamento ocorre em um momento estratégico para o estado, com investimentos bilionários em setores como celulose, energia e infraestrutura. O Decola Empresas surge como ferramenta para preparar pequenas e microempresas a aproveitarem essas oportunidades, fortalecendo a economia local e gerando empregos qualificados.
Empresários participantes destacaram a relevância do evento.
"Foi uma palestra inspiradora, com insights práticos que podemos aplicar imediatamente. O programa de mentoria vai nos ajudar a crescer de forma organizada", avaliou Pamella Schefer, empresária de Três Lagoas, que participará do programa.

Programa trouxe dicas práticas para empresários aumentarem competitividade e inovarem:
1) Comece pelo cliente (não pelo produto)
- Mapeie a jornada do cliente: como ele descobre você, compara opções, compra e pede suporte.
- Pergunte sempre: o que está travando a decisão de compra? (preço, confiança, prazo, conveniência, atendimento).
- Crie um “Top 10 dúvidas” e responda isso no site, WhatsApp, balcão e redes.
2) Defina uma proposta de valor em uma frase
- Escreva: “Ajudamos (perfil de cliente) a (resultado desejado) com (diferencial).”
- Se sua equipe não consegue repetir isso, o cliente também não entende por que comprar de você.
3) Pare de “atirar para todo lado”: escolha um foco por ciclo
- Trabalhe em ciclos de 30 dias com 1 objetivo principal.
- Exemplos de objetivos: reduzir tempo de entrega, aumentar conversão no WhatsApp, diminuir cancelamentos, aumentar ticket médio.
4) Tenha 5 métricas simples e olhe toda semana
Escolha poucas, mas que movem o caixa:
- Leads (quantos contatos entram)
- Conversão (quantos viram venda)
- Ticket médio
- Margem (lucro real por venda)
- Recompra/retorno (cliente volta?)
5) Arrume a “casa” antes de escalar
Crescer com processo ruim só aumenta caos. Priorize:
- Cadastro correto de produtos/serviços
- Precificação padronizada
- Prazo e logística definidos
- Política de trocas/garantias clara
- Rotina de atendimento e pós-venda
6) Faça uma lista das “dores” que mais custam dinheiro
Pegue 10 problemas e estime impacto mensal:
- retrabalho, erros, atrasos, desperdício, devoluções, reclamações, ociosidade. Depois ataque as 2 maiores primeiro.
7) Crie padrões de atendimento (para não depender de “talento individual”)
- Use roteiros e checklists.
- Tenha mensagens prontas para WhatsApp: apresentação, orçamento, follow-up, cobrança, pós-venda.
- Defina tempo máximo de resposta (ex.: até 10 min no horário comercial).
8) WhatsApp: trate como canal de vendas profissional
- Perfil comercial completo, catálogo organizado, respostas rápidas.
- Um “script” de qualificação: necessidade, urgência, orçamento, local, condições.
- Use etiquetas: novo lead, orçamento enviado, negociando, vendido, pós-venda.
9) Melhore o que já vende (antes de inventar novidade)
- Identifique seus 20% de itens/serviços que geram 80% do faturamento.
- Otimize: margem, estoque, apresentação, oferta, pacote, entrega, garantia.
10) Precificação: pare de usar “achismo”
- Calcule custo total: produto/insumo + impostos + taxas + frete + comissões + perdas + tempo.
- Tenha preço mínimo (não negociável) e preço alvo.
- Se precisa dar desconto sempre, o problema é valor percebido ou custo.
11) Inovação não é só tecnologia — é melhorar processo
Exemplos simples que inovam:
- Agendamento online
- Pagamento por link
- Entrega expressa por faixa de horário
- Orçamento em 1 hora
- Kit/combos prontos
- Assinatura mensal (serviços recorrentes)
12) Use testes rápidos (sem gastar muito)
Faça “experimentos” de 7 a 14 dias:
- Mudar oferta (combo vs. unitário)
- Alterar argumento de venda
- Trocar foto/vídeo do anúncio
- Ajustar horário de atendimento
- Inserir pós-venda automático
13) Transforme reclamação em melhoria
- Crie um canal simples de feedback (QR code, WhatsApp, formulário).
- Classifique reclamações: prazo, qualidade, comunicação, preço, suporte.
- Resolva a causa raiz e comunique: “mudamos isso por causa do seu feedback”.
14) Treine a equipe para vender com clareza
- Toda equipe precisa saber: diferenciais, preços, prazos, objeções comuns.
- Treino semanal de 20 minutos: roleplay de atendimento e objeções.
- Uma regra: “quem atende, vende; quem vende, atende bem”.
15) Faça o básico do marketing bem feito
- Site/Google Meu Negócio atualizados (endereço, horário, fotos, serviços).
- Peça avaliações: meta de 10 novas por mês.
- Tenha 1 página simples explicando: o que faz, para quem, como funciona, provas (depoimentos), contato.
16) Conteúdo que vende: mostre prova e bastidor
O que funciona para negócio local:
- Antes e depois
- Caso real (problema → solução → resultado)
- Bastidores do processo (gera confiança)
- Perguntas frequentes respondidas em vídeo curto
17) Crie ofertas “com nome” e validade
Oferta genérica morre. Crie pacotes:
- “Plano Essencial”, “Plano Turbo”, “Plano Premium”
- “Combo Reforma Rápida”, “Check-up Completo”, “Kit Volta às Aulas”E defina validade e bônus real.
18) Tenha um pós-venda que puxa recompra
- Mensagem 24h após entrega/serviço: “deu tudo certo?”
- Mensagem em 15/30 dias com dica + oferta leve
- Programa simples: a cada X compras, ganha um benefício
19) Digitalize a gestão financeira (nem que seja simples)
- Separe conta PJ de PF.
- Controle diário de entradas/saídas.
- Fluxo de caixa projetado para 60 dias.
- Regra: “sem caixa, sem investimento”.
20) Reduza riscos operacionais (principalmente em fases de expansão)
- Contratos e orçamentos por escrito
- Registro de aprovações (WhatsApp serve, mas organizado)
- Controle de estoque mínimo
- Fornecedores alternativos para itens críticos
21) Aproveite o “momento do Estado”: prepare capacidade
Se a demanda aumentar por causa de novos investimentos na região:
- Garanta escala: equipe, fornecedores, estoque, prazos.
- Crie uma versão “B2B” do seu serviço para atender empresas (condições, faturamento, SLA).
22) Tenha um plano simples de transformação digital
Escolha uma prioridade por vez:
- Atendimento (CRM/WhatsApp Business)
- Vendas (link de pagamento, e-commerce simples)
- Operação (sistema, checklist digital)
- Dados (painel com métricas básicas)
23) Monte um mini-plano de ação de 30 dias (modelo pronto)
- Semana 1: mapear jornada + top 10 dores + 5 métricas
- Semana 2: padronizar atendimento + mensagens prontas + pós-venda
- Semana 3: ajustar oferta/precificação + teste rápido
- Semana 4: organizar presença digital + avaliações + rotina de gestão
24) O que evitar (erros comuns que travam crescimento)
- Fazer promoção sem saber margem
- Contratar gente sem processo
- Achar que “mais seguidores” resolve problema de venda
- Não acompanhar números
- Deixar tudo na cabeça do dono
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