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Três Lagoas lidera exportações de MS e reforça protagonismo industrial na balança comercial do Estado

Foto: reprodução
Rogério Potinatti
9/3/2026
às
7:50

Com forte presença da indústria de celulose, Três Lagoas voltou a se destacar como o principal polo exportador de Mato Grosso do Sul em 2026. O município respondeu por 21,63% de todas as vendas externas do Estado no acumulado até fevereiro, consolidando seu papel estratégico na economia sul-mato-grossense e impulsionando o superávit da balança comercial estadual.

De acordo com a Carta de Conjuntura do Setor Externo, divulgada pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Mato Grosso do Sul somou US$ 1,43 bilhão em exportações nos dois primeiros meses de 2026. No mesmo período, as importações chegaram a US$ 530,57 milhões, resultando em superávit de US$ 902,38 milhões.

O desempenho é sustentado principalmente pela força das cadeias agroindustriais instaladas no Estado, com destaque para celulose, que representa 32,31% da pauta exportadora, seguida por carne bovina fresca (22,2%) e soja (13,79%).

Nesse cenário, Três Lagoas aparece como protagonista. O município concentra parte significativa da produção de celulose do Estado e abriga grandes plantas industriais do setor, o que explica sua liderança nas exportações estaduais. Atrás da cidade aparecem Ribas do Rio Pardo, responsável por 14,85% das exportações, Dourados (9,22%) e Campo Grande (8,99%).

Celulose é o produto mais exportado em MS | reprodução

Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, os números refletem tanto a força produtiva quanto o avanço dos investimentos industriais em Mato Grosso do Sul.

“O Estado mantém crescimento no volume exportado e amplia investimentos industriais, evidenciados pelo aumento das importações de bens de capital. Isso demonstra a expansão das cadeias produtivas e a consolidação de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos agroindustriais do país”, afirma.

Outro dado relevante do levantamento está nas importações. Pela segunda vez na série histórica, o gás natural deixou de ser o principal item comprado pelo Estado no exterior. O primeiro lugar passou a ser ocupado por caldeiras de geradores de vapor, que representam 23,72% das importações, seguidas pelo próprio gás natural (23,62%) e pelo cobre (7,5%).

Esse movimento está diretamente ligado à aquisição de equipamentos industriais e bens de capital, sinalizando novos investimentos e expansão de plantas industriais no Estado.

Na comparação com o mesmo período de 2025, as exportações sul-mato-grossenses cresceram 1,74% em valor. Já o volume embarcado avançou 14,26%, totalizando 3,86 milhões de toneladas, o que indica uma redução nos preços médios das commodities no mercado internacional.

Mesmo assim, todos os setores registraram aumento nas quantidades exportadas. A agropecuária teve crescimento de 17,4% no volume, enquanto a indústria de transformação avançou 6,27%. A exceção ficou por conta da indústria extrativa, que sofreu queda de 49,05% nos preços, reflexo da desvalorização internacional de minérios, especialmente o minério de ferro.

No cenário internacional, a China segue como o principal destino das exportações sul-mato-grossenses, absorvendo 37,76% das vendas externas. Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 10,16%, e os Países Baixos, com 4,4%.

Com o desempenho registrado no início de 2026, Três Lagoas reafirma sua posição como um dos motores da economia exportadora de Mato Grosso do Sul, sustentada pela indústria de base florestal e pela consolidação de um dos mais importantes polos de celulose do mundo.